Parte da série Navegando Mudanças, conheça 13 movimentos que estão transformando o presente e apontando mudanças para o futuro da educação e aprendizagem.

Em 2018, a Afferolab, Torus Time Lab e O Futuro das Coisas co-criaram este estudo em 12 capítulos sobre como a aprendizagem pode estar em conexão com discussões pertinentes ao agora. Em 2021, incluiremos um 13º movimento necessário aos enfrentamento dos desafios sistêmicos da aprendizagem, com foco no sul global.

Hoje presenciamos o despertar de uma revolução tecnológica: inteligência artificial, blockchain, impressão 3D e robótica são alguns dos exemplos de tecnologias que prometem transformar nosso futuro e alargar o dado atual que aponta que 45% dos serviços que prestamos hoje já poderiam ser automatizados a partir das tecnologias que possuímos atualmente.

Mas o que isso tem a ver com o futuro da aprendizagem? É que, até então, nossas escolas e universidades seguiram um modelo datado de séculos atrás, quando as instituições de ensino eram responsáveis por preparar operários para atuarem nas fábricas. Diante do nascer de uma nova revolução industrial, na qual os processos de produção serão novamente modificados e automatizados por novas máquinas, também a educação precisa ser revista e entendida menos como um processo de formação e mais como um processo de aprimoração.

Consequentemente, ao mesmo tempo em que levamos em conta o fato de que a automação gerará uma onda de desempregos, também entendemos que novas oportunidades surgirão a partir de novas funções associadas a essas tecnologias. Por outro lado, há ainda a possibilidade de termos a implementação de sistemas como a Renda Básica Universal, com a qual as riquezas geradas pelas máquinas serão distribuídas para garantir sobrevivência e dignidade a todas as pessoas do mundo.

É a partir disso que o trabalho deixa de carregar um sentido de subsistência para se tornar uma atividade ligada ao propósito e a uma vocação a ser desenvolvida junto a uma educação perpétua.

Isto é, em um mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo), o processo de aprendizagem não se reserva mais a uma específica etapa da vida, como a infância e a adolescência, mas é um processo a ser alimentado durante toda a nossa existência — a qual, aliás, está cada vez mais longeva.

Isso não significa, porém, que as próximas gerações irão à escola e à universidade por toda a vida, porque são as próprias instituições de ensino e metodologias que também mudarão nessa transição. Uma das perspectivas, por exemplo, é a de que poderemos receber mentoria por máquinas, desde brinquedos inteligentes durante a infância até robôs conversacionais (chatbots) que nos auxiliarão a desenvolver novas capacidades sem precisar sair de casa.

Além disso, novos agentes têm usado plataformas massivas de aprendizagem online, bem como as empresas por trás das redes sociais passaram a ter uma maior conscientização da importância da aprendizagem, de modo que o ensino se torna parte constituinte de seus conteúdos e formatos, como é o caso do infotainment.

Uma nova forma de ser humano

De forma semelhante, tecnologias imersivas como a realidade virtual e a aumentada também passam a oferecer mais do que entretenimento. Ao facilitarem o acesso à educação e ao revolucionarem a metodologia de aprendizado, dispositivos como óculos de realidade virtual permitem que os usuários viajem pelo tempo e pelo espaço, seja em uma missão exploratória na Lua ou um passeio entre dinossauros.

E do mesmo modo que Garry Kasparov propõe a partir de seu conceito do Centauro, que afirma que a união entre homem e máquina é mais forte do que a sua rivalização, teremos nossas mentes melhoradas por implantes e substâncias, como os nootrópicos, que nos ajudarão a ampliar nossas capacidades físicas e mentais, de modo que nossa percepção do mundo, então alterada, gere novos aprendizados.

Assim, ao nos aliarmos às máquinas, também descobrimos que elas, afinal, estão nos auxiliando a iniciar uma retomada do humanismo. Isto é, se por muito tempo seres humanos se tornaram maquínicos ao realizar tarefas que as máquinas ainda não eram capazes de realizar, agora conhecemos novos equipamentos e algoritmos que podem nos libertar de atividades repetitivas, de modo que possamos explorar o melhor de nossas qualidades humanas.

Dentre elas, aliás, estão nossas emoções, os laços que criamos e que potencializam nosso existir no mundo. É por isso que, cada vez mais, tornamo-nos conscientes da importância e da verdadeira eficiência da aprendizagem pelo afeto: se a vida só faz sentido quando nos faz sentir, então também a educação passa a incorporar o âmbito do emocional humano, tanto em seus processos quanto em seus resultados, o que engloba a necessidade de desenvolvermos uma inteligência emocional.

Afinal, passamos a compreender nossos erros e defeitos, com eles então aprendendo que somos todos crianças e que nunca deixamos de apreciar a presença do lúdico em nossa vida. Isso perpassa desde os processos de aprendizagem até o mundo do trabalho, conforme nos vemos mais capacitados de abandonar tarefas mecanicistas e mais orientados a pôr em prática essa nova formação que une as esferas técnicas, artísticas e reflexivas como as novas potências humanas.

Como chegaremos lá

Para facilitar esses processos de transição para uma nova lógica mais holística do conhecimento e da aprendizagem, temos o design como norte das ideias, atitudes e empreendimentos. Passamos a ver o design menos como uma disciplina orientada à estética para uma área do conhecimento capaz de desenvolver metodologias que facilitem e canalizem nossa criatividade em soluções eficientes e cada vez mais colaborativas.

Isto porque, ao vivermos em rede, passamos a ter não apenas uma maior possibilidade de colaborar com pessoas de todos os cantos do mundo como também nos utilizamos de novas ferramentas e plataformas que auxiliam nessa conexão. É nesse sentido que uma meta educação funciona como um método de capacitação que visa a um maior proveito dessas relações que superam tempo e espaço, mas que precisam de aporte metodológico para se efetivarem.

Assim, ao elaborar um report sobre o Futuro da Aprendizagem em parceria com a Affero.Lab, passamos a entender que o futuro da educação vem junto a um momento no qual tudo é conexão: ao agirmos coletivamente e colaborativamente, crescemos em diversidade e em potência de cenários mais inclusivos e complexos.

Tal constatação, por fim, nos leva a crer que precisamos tornar a educação ativista, porque não mais nos formamos para simplesmente atuarmos como operários em uma linha de produção, mas sim para desbloquear nossas melhores características humanas, as quais nos auxiliarão a participar mais ativamente da sociedade, tomando posturas mais politizadas e conscientes para finalmente exercemos nossa cidadania de forma integrada.

Quer saber mais? Envie email para info@torustimelab.org para receber o PDF do estudo completo onde apresentamos esses 12 movimentos, gratuitamente.